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fev
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Facção Central

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Já passavam das 16h do dia 20 de outubro quando a equipe do Portal Rap Nacional chegou no Grajaú, bairro da Zona Sul de São Paulo. Depois de encarar um ônibus, trem, e outro ônibus uma garoa fina ainda nos acompanhou até chegarmos a casa de Eduardo. A primeira recepção foi feita por dois cães enormes, um rotweiller e um outro, maior ainda, de uma raça que não me recordo o nome, mas que logo reconheci que era o cão ao lado do diabo do encarte do cd. Depois de algum tempo, lá estava a equipe do Portal Rap Nacional sentada na cozinha prontos para entrevistar o Eduardo e Dum Dum. Muito tempo já se passou desde a última entrevista que fizemos com o Facção, por isso perguntas não faltaram. Conversamos sobre as novidades do novo cd e show de “O Espetáculo do Circo dos Horrores”, sobre política, aborto, PCC, entre outros temas polêmicos, confira
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Como foi o processo de criação de “O Espetáculo do Circo dos Horrores”?

Eduardo: Seguiu o processo de todos os cd´s do Facção, primeiro eu procuro os temas, analiso aquilo que vai ser abordado, nessa fase a preocupação maior é não ser repetitivo, buscar temas diferentes dos já colocados anteriormente. Na seqüência vem a elaboração da letra, que na minha opinião é o ponto crucial do projeto, porque você pode ter um bom tema, boa base, boa produção e cantar bem, mais se sua letra não tiver fundamento, criatividade, já era, depois da letra, vem a pré produção, estúdio, fabricação e rua.

 

Quanto tempo desde a primeira letra  até a masterização?

Eduardo: Uma letra do Facção só é considerada pronta quando a mesma ta gravada no cd, quando não tem como fazer nenhuma alteração, por isso a composição das letras sempre é meio demorada, eu sou muito perfeccionista, detalhista, procuro enriquecer a o maximo minha obra, então sempre tem espaço pra uma nova estatística, uma nova informação, um novo dado, então seguindo nesse mecanismo demora um pouco mais pra bater o martelo, foi esse o caso do ultimo cd, caprichei muito no trabalho e isso tomou mais tempo do que o programado, a principio tinha estipulado um prazo na minha mente de um ano e meio de trabalho ao final computei dois anos e meio.

 

Na sua opinião qual é a melhor música desse cd?

Eduardo: Pra mim todas mantém a mesma regularidade, na minha visão estão bem parelheiras, o que vai diferir uma da outra são as bases, a maneira que cada uma foi cantada, o gosto do publico, mais eu não consigo fazer nenhuma distinção entre elas, fiz todas pra serem a carro chefe do cd, se você colocar todas no papel vai perceber essa igualdade.

Dum dum: Eu me identifico com a bactéria Fc.

 

Muita gente não entendeu porque o Erick 12 saiu do FC, você poderia explicar o motivo?

Eduardo: O estúdio do Erick começou a prosperar, os horários começaram a ficar escassos, começou ficar difícil uma conciliação dos horários, não tinha como cumprir a agenda do Facção e a do estúdio a o mesmo tempo, começaram a surgir divergências, então chegamos a conclusão que seria melhor a saída dele da banda, no começou teve alguma magoa, mais com o passar do tempo, as duas partes entenderam que foi uma decisão acertada.

 

Nesse novo cd o Erick volta como produtor. Qual é a importância dele na produção do álbum?

Eduardo: Ele é um mano que sabe interpretar fielmente aquilo que eu imaginei como música, o produtor é o cara que vai transformar aquela letra que você criou em música. Porque até então você tem a letra e o sampler precisa fazer a junção dos dois para a transformação em música e na verdade ele sabe melhor do que ninguém fazer essa transformação, entre os produtores que trabalhamos ele é o que sabe traduzir de melhor maneira nossos pensamentos.

 

“O Espetáculo do Circo dos Horrores” é o melhor álbum do Facção Central até agora?

Eduardo: Sem duvida nenhuma, talvez hoje ainda algumas pessoas não participem da minha opinião mais num futuro próximo acredito que todos chegaram nessa conclusão, vejo nesse cd uma evolução muito grande nas letras, nas bases, na produção, na maneira que nós estamos cantando.

 

O que difere o novo álbum dos outros do Facção?

Eduardo: O discurso do FC não é moda, não segue tendência mercadológica, é ponto de vista e revolta a flor da pele, essa é a temática da nossa música do inicio até o fim, nos cd´s esta impressa a nossa filosofia, por tanto nesse ponto nunca haverá nenhuma mudança, nossa postura e comportamento serão sempre os mesmo, somos pessoas de caráter e atitude, até por isso optamos pelo rap, por ser algo alternativo em meio a enxurrada de groselha que varria e alienava nosso povo, fomos conquistados por essa essência de protesto contestação, vimos no rap a única formula de trazer a tona o abismo social desigual brasileiro, as arbitrariedades da policia, então já mais trairemos nossas raízes, nossa música sempre terá esse cunho social de denuncia. A mudança fica por conta dos temas que existem no novo, não existem nos antigos, a maneira de cantar, as bases e a produção, essas são as mudanças que o publico constatará.

 

Você utiliza nas letras várias palavras que não são comuns no cotidiano, isso é proposital para incentivar o público a se informar ou é uma evolução natural do Facção Central?

Eduardo: Não tento ser professor Pascualli, nem dicionário Aurélio, tudo que escrevo esta dentro do contexto do tema abordado, não subestimo o publico do Facção, por que acredito que  se um cara que tem 5ª série conseguiu escrever, o publico tem totais capacidades de compreender, não faço sopa de letrinhas por que não considero o publico do Facção ignorante, sei que aquele que não entende num primeiro momento determinado trecho, vai procura se informar e isso mostra inteligência, ignorantes são os que condenam o Facção sem se quer compreender uma  estrofe da minha letra.

 

Quantas cópias do novo álbum já foram vendidas?

Eduardo: Segunda a distribuidora já chegamos a 30 mil cópias vendidas. È difícil dimensionar a expectativa de venda, é um cd duplo, o preço se torna um pouco maior, por que são dois cds, sabemos das condições financeiras do publico alvo do trabalho, o cd conta com um encarte de cinco laminas, traduzindo ele tem um livro de dez paginas com ilustrações, isso não é barato, lutamos por um preço justo e conseguimos, você pode comprar o cd nas lojas por uns R$ 24.00, muitos cd´s comuns são até mais caros. Mais o que importa no final é que a mensagem chegue no ouvido da favela, o que esta vendendo esta bem vendido ainda mais se tratando de rap nacional, que é um estilo marginalizado dentro da música brasileira e em se tratando de Facção que é o  grupo marginalizado do estilo marginalizado.

 

Nenhum outro grupo havia lançado dois álbuns duplos, porque vocês optaram por isso novamente?

Eduardo: Isso foi uma opção pessoal minha, foi um desafio que eu mesmo me impus, aceitei e concretizei, quis botar a prova a minha capacidade, minha versatilidade como compositor. Sempre ouvi as pessoas dizendo que no próximo cd o Eduardo não teria o que escrever, infelizmente existem mazelas em proporções bíblicas no Brasil, o circo do horror tropical, carnavalesco é uma fonte inesgotável de texto pra livros, cd´s, dvd´s, filmes, mini séries e etc, acredito que seja essa até a maio riqueza brasileira, temas tristes e violentos.

 

Qual a mensagem que você tentou passar através do encarte?

Eduardo: O encarte se trata de um complemento da obra, segue o mesmo contesto tem a mesma identidade do cd, aborda os mesmos fatos, a diferença  é que no encarte fizemos uma encenação, uma ilustração que coloca de uma forma lúdica um demônio apresentando um circo metafórico, o demônio seria os 10% da população, os abastados, que comandam 90% da riqueza brasileira, mostramos que através da sua política, que engloba desigualdade, descaso, genocídio, corrupção, violência, nossas almas são levadas para queimar no pior inferno que existe, o mundo real.

 

  E como foi o processo de criação da capa?

Eduardo: Não gosto de fotos pessoais em capa de cd, acho que o cd é como um livro, precisa de uma ilustração que traduza o seu conteúdo, foi o que eu fiz procurei uma imagem que deixasse isso bem claro, estamos numa época a onde as multinacionais estão tentando transformar o nosso rap em axé, em algo divertido pro bisneto do dono casa grande consumir nas boates, nas festas heave, querem comercializar, maquiar, espremerem pra retirar todo caldo e depois chutar o bagaço, vejo que hoje muitos grupos enxergam também nesse caminho uma formula pro sucesso, então tínhamos uma responsabilidade muito grande com esse cd em tentar manter vivo o rap que esta nas camisetas do mais humilde, dos sem voz, dos sem representantes, que ecoa nas vielas da periferia, por isso cada detalhe teria que ser bem articulado e executado com precisão cirúrgica, o nosso rap não representa apenas o Facção, representa um povo que não tem como expressar sua revolta, um seguimento músical que alguns rotulam como gangsta, que eu defino como realista e é essa essência que encontramos em 1988 quando a gente começou cantar que nós não podemos deixar morrer, precisamos que as gerações futuras tenham acesso a o verdadeiro espírito do rap, o rap do gueto.

 

 

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O novo cd tem o selo Facção Central Produções fonográficas, fale um pouco a respeito desse projeto?

Eduardo: O selo foi uma questão de necessidade, por que a gente já tinha gravado por varias gravadoras e sempre fomos roubados, sempre os números de vendagem não batiam com a realidade, então chegou a hora de mudar essa situação até por uma questão de sobrevivência dentro da música e de dar continuidade a o trabalho.

 

Qual o significado do nome Facção Central?

Eduardo: Hoje a mídia e a população em geral atribuem a palavra facção a o crime organizado, a grupos terroristas e etc, mais na época que adotamos o nome não tinha essa conotação, o tradução mais fiel seria uma banca da área central de São Paulo, pelo fato de na época nos morarmos no centro e o Fc ter se originado lá, hoje  o significado antigo não tem nenhum sentido, o Facção faz parte de todas as favelas do Brasil, não existem fronteiras, o povo é um só, da palafita a favela, da periferia a o morro, os milhares de sotaques se juntam pra um resultado, rap nacional, hoje o sentido seria que nós somos os manos que estão no centro da hecatombe, no centro do furacão.

 

O Facção Central já fez show em todos estados do Brasil?

Eduardo: Acredito que sim.

 

Quais os lugares que vocês perceberam que o rap esta mais forte?

Eduardo: O rap em São Paulo tem mais destaque, mais bandas, é mais popular, não quero dizer que em São Paulo é melhor ou pior, apenas estou constatando um fato, nos outros estados brasileiros o rap esta numa ascensão, vejo que todos se assemelham, todos estão fortes, o rap não é um movimento de uma determinada cidade, mais sim um movimento de um povo, por mais que São Paulo seja o pólo, o rap nacional não é uma manifestação popular paulistana, é uma manifestação popular dos excluídos.

 

Já aconteceu algum incidente grave nos show de vocês?

Eduardo: Nós como banda fazemos o possível pra conscientizar o nosso povo, alertando que quando nós nos destruímos o sistema bate palma, acredito sinceramente que nossos apelos acabaram sendo atendidos, não podemos generalizar, se colocarmos em porcentagem num exemplo simples de 1000 pessoas num evento, dessas 1000 uma pessoa se envolve numa treta, o resultado é: 99% das pessoas se comportaram, nem os paises de primeiro mundo tem uma porcentagem tão grande de pessoas civilizadas assim. Já vimos infelizmente cara matando outro com a gente cantando, já atiraram em outra vitima antes do nosso show, já deram tiros pro alto, já cancelaram shows por esses motivos, mais o que mais te marca é saber que uma pessoa se deslocou da sua casa, deu tchau pra  mãe, pra ver o nosso show e morreu por um motivo idiota, da um vazio na sua alma ver uma adolescente que tinha a vida toda pela frente no chão sangrando com a camisa do Facção, você acaba se sentindo até meio culpado, como se você não tivesse conseguido cuidar das pessoas que te amam, que confiaram em você.

 

fcentrevista4Quais são as novidades do show do Facção Central?

Eduardo: Investimos muito em equipamentos e em profissionais pra ter um resultado a altura do publico do rap nacional em geral, agora podemos dizer que temos um show, antes era apenas uma apresentação músical, hoje contamos com luz, telão, som de ótima qualidade, o publico sempre lotou os nossos shows, sempre nos deu respaldo é nós sentíamos que tínhamos essa divida com eles, não era justo os manos virem de longe e ter que ouvir um som com microfonia, ver um palco desorganizado, sem luz, sem pessoas responsáveis trabalhando, não aumentamos o cachê por isso, tão pouco o publico vai pagar a mais, o valor que ele sempre pagou já deveria incluir esse tipo de espetáculo, respeito pelo publico é isso um cd bem feito, bem produzido, um show bem trabalhado, com os artistas concentrados, treinados, cantando bem, sem droga, sem bebida, com a banda totalmente focada no show, nenhum show é mais um, nenhum publico é mais um.

 

Quando surgiu a idéia do diabo apresentando o show?

Eduardo: Ele não só apresenta, como faz uma participação no meio do show e o finaliza também, a idéia surgiu na hora em que a gente estava fazendo as fotografias para o encarte, achei que a maquiagem tinha um realismo esplendido, que não ficaria ridículo esse quadro dentro do show, filmamos, analisamos e colocamos em pratica na hora que a gente entendeu que nós tínhamos chegado no realismo necessário, não queria de forma alguma que parece se um cara com uma mascara no rosto, procuramos pessoas especializadas em efeitos visuais, para desenvolver o projeto e graças a Deus chegamos no resultado que todos estão conferindo, vejo que o publico gostou, interage com o telão, algo que até hoje não havia acontecido no rap nacional, vejo todos prestando atenção quando o diabo fala na introdução do Pacto Com o diabo, que hoje ele não precisa fazer pacto com apenas uma alma só, basta apenas atacar os pontos estratégicos, é só fazer um pacto com a Taurus, com a Rossi, com a Phillips Morris, com a Ambev, que choverá milhares de almas na sua horta infernal.

 

Quem interpretou o diabo?

Eduardo: Nas fotografias do encarte foi o Dum Dum, já nas imagens do Show foi o Moiséis do grupo A 286, que antigamente fazia back in vocal pra nós.

 

Hoje por muitos o Eduardo é considerado como o melhor rapper do Brasil como você vê isso?

Eduardo: fico lisonjeado com as opiniões a respeito do meu trabalho, mais mantenho os pés no chão, tento apenas fazer um bom trabalho, um trabalho correto que seja digno e merecedor do respeito do publico alvo, a favela.

 

Quais foram as principais dificuldades para organizar o novo show?

Eduardo: Em primeiro lugar conseguir a estruturação do show, depois conseguir profissionais disponiveis no mercado pra colocar em pratica o que a gente estava pretendendo, aprender e se familiarizar com o novo mecanismo, que exige um modus operandi de trabalho totalmente diferente do que nós havíamos nos acustumado até então.

 

No primeiro show do “O Espetáculo do Circo dos Horrores”, o cd estava na loja há poucos dias e mesmo assim o público cantou junto com o Facção todas as músicas novas. Vocês já esperavam por isso?

Eduardo: Eu esperava, pela fidelidade do publico. O publico do FC é um publico que acompanha tudo o que a gente faz, toda música nova que sai os manos procuram ouvir, interpretar e entender, nós sabíamos da expectativa em relação a esse cd, por isso até colocamos uma música no Portal Rap Nacional, pra dar uma acalmada na ansiedade da rapaziada, esse respeito do publico é a nossa força movedora, é a nossa catapulta, por isso o Facção tenta não errar na sua caminhada, pra mostrar pros manos que eles depositaram sua confiança no lugar certo, não vamos salvar o mundo, mais usamos a nossa única ferramenta de mudança, a música, da maneira mais apropriada e digna possível, quem salva uma vida, salva o mundo, se no final a gente olhar pra trás e ver que uma pessoa foi salva através de uma letra minha tudo valeu a pena.

 

Como surgi uma letra? Você tem algum ritual para escrever?

Eduardo: Na hora de escrever fico em silencio, sozinho pensativo, faço alguns rascunhos, tem hora que surge um bom pensamento, as vezes vem coisas sem muita inspiração, então o adequado é tentar mais tarde, música não escolhe hora pra nascer, pode ser meio dia, pode ser de madrugada. Normalmente eu escrevo de madruga, é a hora de maior silencio,  os assuntos que serão abordados vem da sua percepção diante de tudo que você viu, penso muito  na maneira em que eu vou colocar cada palavra na música, é um trabalho minucioso, é um castelo de cartas, se uma estiver errada todas caíram, porque a violência esta em todos os lugares, todos sabem quais os problemas sociais que afligem o Brasil, sua missão não é apenas noticiar, se não eu seria ancora de jornal, antes de ser um relato social se trata de uma música, esse relato sairá do seu cérebro em forma bruta como noticia e denuncia e  terá que ser lapidado dia após dia para que se transforme no diamante, em música, num rap contundente de atitude, mais com swing e músicalidade.

 

Nas letras você aborda diversos assuntos, o que da para perceber que você é uma pessoa bem informada, sobre a história e também sobre o que acontece no mundo hoje. Como você se informa?

Eduardo: Através dos livros, da internet, os telejornais também são fontes que mostram acontecimentos diários, claro que sempre entendendo que tudo que esta exposto nos jornais, nas revistas atendem determinado partido político, que a maioria das noticias são tendenciosas e formadoras de opiniões que interessam A ou B, por exemplo a globo não ataca o alcoolismo se seu anunciante vender bebida, nem o tabagismo se o anunciante fabricar cigarros, não noticiará a corrupção do candidato que trás facilidades pra ela, apenas fará a cobertura da policia federal quando ela estiver prendendo um inimigo político, temos que saber filtrar e enxergar que as capas da veja são compradas, da isto é também, que a mídia protege e persegue, age da maneira que lhe for mais conveniente, enfim que a nossa imprensa é marrom. Por isso tomo muito cuidado com o que eu vou colocar em uma música pra sem querer não acabar atendendo algum esquema do qual não faço parte, outro detalhe primeiro temos que saber o que queremos abordar pra depois sabermos de que maneira nos informar, não adianta ler um milhão de livros esperando que você se tornara uma grande compositor, que você encontrara um rap la dando sopa que definitivamente não é assim, a criatividade começa na escolha do tema, por exemplo Castelo Triste, primeiro eu montei o esqueleto do que eu queria falar depois procurei o que seria correto ter na letra, queria mostrar que a deficiência maior é a do preconceituoso, procurei colocar pessoas que venceram mesmo com sua deficiências físicas, ai fui procurar essas pessoas, essa é a maneira que eu escrevo e que eu me informo.

Como foi fazer uma letra falando do seu irmão?
Eduardo: Foi a primeira vez que eu chorei escrevendo uma letra, até pensei que não iria conseguir, tive que fazer um trabalho mental pra conseguir separar a composição da minha vida pessoal, por que na verdade não estou passando apenas o cotidiano e os pensamentos do meu irmão, eu falo também do dia que a minha mãe morreu, dia 26 de março de 1995, então é um retrato e uma passagem muito triste da minha vida, no começo nem olhava pra trás no show, pro telão pra não ver a foto dele pra não me emocionar, odeio fotos dos que se foram, não guardo, não olho de jeito nenhum, trás muitas lembranças.

 

Além de “Castelo Triste” tem alguma outra música que relata uma situação que o Facção viveu?

Eduardo: Toda letra é uma mescla das nossas experiências de  vida, com as vidas do nosso povo, não tem como falar de maçã sem conhecer o sabor, nós somos vitimas do sistema como todos os que curtem Facção, apenas estamos numa posição de porta voz, apenas temos um veiculo de comunicação pra fazer denuncias, pra direcionar o nosso ódio, pra apontar os culpados pela guerra civil não declarada, pela desigualdade, pelo desenvolvimento humano inexistente.

 

Você acredita em reencarnação?

Eduardo: Não é uma questão de acreditar é de apenas não me conformar que a vida seja apenas isso, nascer, sofrer e morrer. Caso exista reencarnação a gente deve ter sofrido bastante, por que a minha revolta é uma fonte inesgotável, como eu disse no Livro De Auto Ajuda, em outra encarnação fui o escravo fugitivo que o capitão do mato cortava a orelha e marcava o rosto com a letra F de fujão, agora é  a nossa vez de marcar a cara deles com um F, só que esse é de Facção.

 

Em outra letra você fala: “agora sonho em esquartejar, carbonizar, o criador desse teatro de fantoches”. Quem é o criador desse teatro de fantoches?

Eduardo: São os 10% da nação que comandam 90% da riqueza brasileira, eles manipulam os políticos, criam leis que os beneficiam,  leis que protegem seus patrimônios, sua riquezas, impedem que  o povo tenha acesso a informação, pois um povo instruído saberia da divida que o Brasil tem com a gente, que toda a riqueza dos jardins, dos condomínios de luxo é oriunda de 500 anos de exploração, escravidão, eles manipulam as noticias, emissoras de tv, alienam a população, são coniventes com o genocídio, com o circo dos horrores, lucram com o kaos da guerra urbana do 3º mundo, pois pra quem não sabe a paz não existe porque não da lucro, a guerra sim é lucrativa, a Ferrari é movida a lagrimas.

Você fala nas sua letras sobre controle de natalidade e aborto, qual sua opinião sobre esses temas?

Eduardo: O controle de natalidade é necessário, não podemos ter famílias pobres a onde a mãe e o pai sem acesso a informação sobre prevenção, tenha 7 filhos pra criarem desempregados, o governo precisa não só fazer campanha, mais fazer um trabalho de campo, pra mostrar pra essas mães como se usa as pílulas, como se evita a gravidez e claro também fornecer o suporte pra isso, por que não adianta estar informado mais sem um real no bolso pra se prevenir, em relação a o aborto somos totalmente contra, considero um assassinato, mais não julgo os motivos e as razões das pessoas que os fazem, eu já mais teria coragem de tirar uma vida, essa é a minha opinião, acredito que essa resposta elucide a duvida em relação a música Cortando O Mau Pela Raiz, a onde apenas mostramos uma situação corriqueira das pessoas na miséria, pessoas passando fome tomam atitudes estremas e impensadas, a música não expressa nossa opinião apenas relata um fato.

 

Alem do Eduardo e Dum Dum, quem mais participa da banda?Ariais

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Eduardo: Temos dois manos que fazem o backing in vocal, que são Smith e Ariais, dois manos que mostram os talentos que estão ai na periferia, são exemplos que mostram a injustiça social que é refletida na música também, quantas vezes vemos pessoas sem talento nas multi nacionais do disco na tv e pessoas que representam esquecidas no anonimato num barraco na margem do córrego, pega qualquer cd gospel que você vai comprovar a qualidade  e a injustiça, até indico uns nomes, pra rapaziada entender do que eu to falando, escutem Serginho Saas e Raiz coral, nosso país não é tão brega assim,  a black music de verdade é que não aparece nas fm´s e nas emissoras, voltando a o Fc, temos também o dj Marquinhos fazendo um grande trabalho, vocês ainda vão ouvir fala muito desse mano, é um dos melhores dj´s do Brasil sem duvida.

 

 

 

 

 

 

Qual é a mensagem da música “Pacto com o Diabo”?

Eduardo: A música é uma metáfora, mostra que se fosse possível um contato muitos os fariam, apenas pra saber por um minuto o que é felicidade, por outro lado também mostramos o que tem a  imagem e  semelhança dele aqui na terra, em forma de homem, em forma de empresa, quem são os tentáculos dele que carregam as almas pro inferno. 

 

Você fala: “tira o zóio do impala, engasga o seu freestyle, pula de manga larga não no nosso low rider”. Quem são os merecedores dessa mensagem?

Eduardo: È uma direta pra playboyzada que esta querendo migrar para o rap nacional, rap é coisa de favelado, é a nossa música, então boy filho da puta vai cantar rock, vai cantar axé, tem uma pa de estilo músical pra vocês optarem. Vocês tem dinheiro pra tocar piano, saxofone, podem aprender canto, cantar ópera, é cômico ver os cérebros intelectuais dos jardins que tanto criticaram a nossa música, taxaram como música de bandido, rotularam como música de ignorante, hoje de calça larga e boné pra trás, gingando, falando na gíria, querendo rimar, não proponho violência, mais tem que existir uma retaliação, o publico tem que ignorar esses pipocas, como a classe social dele ignora o nosso povo, o rap não pode aceitar oportunistas.

 

As esposas de vocês participam da produção do Facção. Vocês acham isso importante para o desenvolvimento do grupo?

Eduardo: È bom salientar que participam por merecimento e competência, porque produzem e somam, não adianta você levar 500 manos, irmão , primo, tio, pro show pra assistir sua apresentação, você tem que levar pessoas que são profissionais que vão trabalhar pelo show, A Fatima hoje alem de executar a tarefa de empresaria, ainda faz a supervisão da montagem do show e no show trabalha no setor de imagens.

 

A música do Facção é direcionada a qual faixa etária?

Eduardo: Ela é apropriada pras pessoas que já tenham discernimento pra compreender a letra, não se trata obviamente de uma música infantil, uma criança não compreenderá nossa música da mesma maneira que ela não consegue entender ainda quem é a Xuxa, que nos desenhos tem incitação a o crime, que ela vai pra escolar pra não aprender, que ela já nasceu predestinada pelo sistema a ser criminosa, nosso rap só vai ser morfina pra ela quando ela começar a entender a dor. 

 

 

Tem uma música que fala: “obrigado favela pelo FC na camiseta”. Por todo Brasil existem roupas que levam o nome do Facção Central, mais que são piratas, não são oficiais, o que vocês acham disso?

Eduardo: È uma questão que da dimensão correta do retrato do Brasil, um país a onde o dinheiro compra políticos, juizes, advogados, diretores de presídio, emissoras, imprensa, liberdade, impunidade, se eu ascender um baseado ( deixando claro que eu não uso drogas )   na 25 De Março, no Largo 13, no Largo da Concórdia, a policia vai me prender, se marcar até me executar, mais se o rico piratear meu cd, meu dvd, minha camiseta e colocar numa barraca, não tem problema, Por que? Por que o gambé recebe a propina semanal pra fazer vista grossa, a policia federal recebe propina semanal pra não fazer apreensões, ai você me pergunta, recebe de quem, do tiozinho que é camelô? Claro que não, recebe do boy que tem a fabrica de cd´s, que tem os equipamentos pra duplificação em massa. A pirataria segue os moldes de funcionamento semelhante a o do trafico de drogas, no zoom da filmadora da reportagem os pobres, no iate, nas mansões os verdadeiros culpados. Conseqüência, se tornou cultural a pirataria no Brasil e quem perde com isso? O governo? O governo perde, mais ele que se foda, o imposto que ele deixa de angariar não seria revertido pro povo mesmo, o maior prejudicado é o próprio movimento hip hop, hoje um artista pra colocar seu trabalho na rua não calcula quanto vai ganhar e sim quanto vai perder com a pirataria, com isso as gravadoras não investem em novos talentos, os talentos não conseguem viver da música, abandonam suas carreiras, as bandas não conseguem se estruturar, contratar profissionais competentes, não conseguem por tanto oferecer um show de qualidade pro seu publico, como se pode notar a base de sustentação fica totalmente comprometida, é vergonhoso hoje nós termos dentro de um estilo músical no Maximo umas 5 bandas vivendo estritamente do dinheiro vindo da música, a pirataria é responsável direta por hoje nós não termos nossa própria radio, nossas gravadoras, nossas fabricas de roupas, talvez até nossa emissora de tv. Cada banda emprega no mínimo umas 8 pessoas, fora os integrantes da banda, temos que pensar nesses empregos na hora de comprar o pirata, nos talentos que não serão revelados, nos que morrerão prematuramente, nos talentos passando fome, nos talentos na cadeia, na banda que não dará continuidade a sua carreira. Isso não quer  dizer que eu não entenda o que faz uma pessoa optar pelo cd pirata  em vez do original,  ninguém melhor do que o FC, que relata as mazelas do Brasil desde 1990 sabe disso, sei do poder aquisitivo do nosso povo, sei do salário, apenas estou trazendo os males da pirataria tona pra todos entenderem que o maior mau não é aquele que vemos escrito por ai O CD PIRATA DANIFICA SEU APARELHO, a devastação é bem maior do que isso, amo o fã que compra pirata, da mesma forma que amo o que compra o cd original, autografo cd pirata sem nenhum problema, por que independente de que cd que seja o que interessa é a nossa música no ouvido, chamei a atenção pra esse fato por que é meu dever conscientizar o publico que o cd pirata só deve ser comprado caso não haja de forma nenhuma outra alternativa.

 

Vocês pretendem gravar vídeo clipe de alguma música do novo álbum?

Eduardo: Pretendemos sim, temos a intenção de fazer o DVD que a rapaziada  tanto cobra e nele colocar algum vídeo clipe, não decidimos a música ainda, estamos no momento na primeira fase do projeto.

 

Vocês acreditam que o Portal Rap Nacional tem cumprido o seu papel que é o de levar informação e divulgar o verdadeiro rap?

Eduardo: Quero deixar claro pra todos que o Mandrake tem uma amizade pessoal com o Facção Central e que isso não influi absolutamente em nada na minha resposta, aliais a nossa amizade se deve a o fato do seu profissionalismo e respeito a o verdadeiro rap nacional, acho que o Portal Rap Nacional enxergou a lacuna que os outros sites deixaram, é o site que faz coberturas dos eventos tradicionais da periferia, cobre os eventos sem grande badalações da imprensa, não espera um artista se destacar em outro meio de comunicação pra depois entrevista-lo, é um site limpo e transparente, cumpridor do seu papel, enxergo como uma grande ferramenta na revolução, parabenizo pela iniciativa, desejo vida longa ao site e a todos verdadeiros.

 

Deixem um salve para os fãs do Facção Central.

 

Eduardo: Espero que essa entrevista tenha sido de alguma forma esclarecedora, que tenha deixado claro quais são nossos pensamentos e pontos de vista, quais são nossas opiniões verdadeiras a respeito de cada respectivo fato abordado, tentamos ser o mais objetivo possível, pra que todos entendessem a nossa filosofia. Acredito na periferia, acredito que só falta o direcionamento adequado pro nosso povo, mais até esse direcionamento chegar temos que nos prevenir, nos mantendo longe das drogas, do álcool, do crime, estudando, trabalhando, sendo um bom filho respeitando os país, um bom pai respeitando os filhos, somos um povo com potencial, não podemos vencer apenas no esporte e na música, sei o que faz uma mão segurar uma arma, ninguém nasce com índole de criminoso, nos transformam em monstro, mais se você poder mano evite a sua transformação, ela só te trará dor, sofrimento, o frio da cela, o frio da cova, o frio da lagrima, o frio do coração do boy, mesmo sendo repetitivo vou prosseguir, a paz é só um sonho, mais os momentos pacíficos nós podemos alcançar, reflitam em quantos momentos desses nós jogamos fora por ignorância, estupidez, falta de sensibilidade, respeitando as diferenças todos serão respeitados, essa é a minha apologia sincera o bem comum para o povo que eu acredito.

 

Qual é a mensagem da música “Pacto com o Diabo”?

Eduardo: A música é uma metáfora, mostra que se fosse possível um contato muitos os fariam, apenas pra saber por um minuto o que é felicidade, por outro lado também mostramos o que tem a  imagem e  semelhança dele aqui na terra, em forma de homem, em forma de empresa, quem são os tentáculos dele que carregam as almas pro inferno. 

 

Você fala: “tira o zóio do impala, engasga o seu freestyle, pula de manga larga não no nosso low rider”. Quem são os merecedores dessa mensagem?

Eduardo: È uma direta pra playboyzada que esta querendo migrar para o rap nacional, rap é coisa de favelado, é a nossa música, então boy filho da puta vai cantar rock, vai cantar axé, tem uma pa de estilo músical pra vocês optarem. Vocês tem dinheiro pra tocar piano, saxofone, podem aprender canto, cantar ópera, é cômico ver os cérebros intelectuais dos jardins que tanto criticaram a nossa música, taxaram como música de bandido, rotularam como música de ignorante, hoje de calça larga e boné pra trás, gingando, falando na gíria, querendo rimar, não proponho violência, mais tem que existir uma retaliação, o publico tem que ignorar esses pipocas, como a classe social dele ignora o nosso povo, o rap não pode aceitar oportunistas.

 

As esposas de vocês participam da produção do Facção. Vocês acham isso importante para o desenvolvimento do grupo?

Eduardo: È bom salientar que participam por merecimento e competência, porque produzem e somam, não adianta você levar 500 manos, irmão , primo, tio, pro show pra assistir sua apresentação, você tem que levar pessoas que são profissionais que vão trabalhar pelo show, A Fatima hoje alem de executar a tarefa de empresaria, ainda faz a supervisão da montagem do show e no show trabalha no setor de imagens.

 

A música do Facção é direcionada a qual faixa etária?

Eduardo: Ela é apropriada pras pessoas que já tenham discernimento pra compreender a letra, não se trata obviamente de uma música infantil, uma criança não compreenderá nossa música da mesma maneira que ela não consegue entender ainda quem é a Xuxa, que nos desenhos tem incitação a o crime, que ela vai pra escolar pra não aprender, que ela já nasceu predestinada pelo sistema a ser criminosa, nosso rap só vai ser morfina pra ela quando ela começar a entender a dor. 

 

O que faria você parar de cantar rap?

Eduardo: Acho que só um câncer na laringe.

Dum Dum: Acho que o mesmo esquema, um problema na minha garganta.

 

Como vocês avaliam o sistema carcerário brasileiro?

Eduardo: O sistema carcerário brasileiro é totalmente falido, sem nenhuma perspectiva de mudança, sem nenhuma intenção de mudança, sem respeito a o ser humano, sem respeito a os direitos dos presos a os seus familiares, a lei de execução penal só existe na teoria, agentes  despreparados, presídios sem a mínima infra estrutura pra sobrevivência, processos parados, penas cumpridas sem alvará de soltura, falta incentivos, programas educacionais que re socializem os presos, o sistema carcerário brasileiro só tem uma intenção, afastar do playboy, aquilo que ele considera como escória, colocar num depósito humano os que não aceitaram as chicotadas que o sistema da, penalizar os que ousaram tentar não viver na miséria.

 

Como vocês vêem os ataques do P.C.C?

Eduardo: Vejo com naturalidade, é obvio que o povo um dia começaria a se articular e se rebelar, o preso entendeu que suas reivindicações não seriam atendidas pacificamente, então destruí o presídio, qual foi o resultado? A reforma super faturada, político rico, empreiteiro rico, o governador ganhando novos eleitores com a promessa de uma nova construção de presídio de segurança máxima pra resolver o problema da segurança publica brasileira, o tele jornal sensacionalista enchendo o cu de anunciantes, todos lucraram menos os presos e suas famílias, então mudou se a estratégia de ataque, agora o foco seria outro, os alvos viraram viaturas, delegacias, ônibus, guaritas, bases comunitárias, prédios públicos e o resultado, foram enxergados, essa é a única maneira que o sistema entende. Hoje os presos se rebelam amanhã serão os estudantes, os professores, os aposentados, os trabalhadores comuns, a dona de casa, o desempregado, o cidadão comum em geral, a sorte do sistema é que nem todos são preparados, articulados e com noção de tática de guerrilha como os presos.

O que vocês acham dos rapper´s que se associam a política?

Eduardo: Precisamos de representantes no poder, representantes que saibam o que é viver na favela, saibam o que é acordar e não ter café da manhã, tenham sentido na pele o que é viver na pobreza, entre os ratos e o cheiro fétido do esgoto, do cadáver se decompondo, o rap por si só normalmente tem um discurso político, as letras de rap apontam os problemas e muitas vezes a própria solução, isso  pode ser um pressagio de um bom político, de um verdadeiro revolucionário, mais mesmo assim o publico tem que estar atento, procurar saber qual é o partido que esse rapper faz parte, quais são as alianças partidárias que o mesmo faz e com quem faz, quais sãos suas propostas, não é porque uma pessoa cantou rap, mostrou um discurso de esquerda contestador, opositor que ele mereça nosso voto, muitas vezes o discurso político pode ser o do politicamente correto pra vender cd.

 

A má distribuição de renda é um dos maiores problemas do Brasil, o que vocês acham que pode ser feito para resolver este problema?

Eduardo: O Brasil é uma vergonha, é o 6º país mais desigual do planeta e o país rico mais desigual da terra, o Brasil é rico em riquezas naturais, em belezas naturais, belezas essas que o capacitam pra ser o maior pólo turístico planetário, mais o único turismo explorado aqui é o turismo sexual infantil, o Brasil tem riqueza suficiente pra sustentar seu povo se quiser, tem tanta riqueza que as vende  in natura a preço de banana pra depois comprar o produto acabado  100 vezes mais caro do que o preço que foi vendido, enquanto não houver vontade política não haverá igualdade social e sem a igualdade nunca haverá paz, fico muito triste em ver um país com potencia pra estar num patamar de um país nórdico, numa evolução tão medíocre, a única coisa que o Brasil lembra um pais nórdico é no estereotipo dos atores, você olha pra tv brasileira e tem a impressão de estar na Noruega, na Austrália, na Alemanha, todo mundo na tv tem olho azul.

 

O grupo esta concorrendo em 3 categorias no Hutúz. Vocês estão otimistas?

Eduardo: O meu otimismo em relação a premiação é que haja justiça. Que vença o que mereça vencer, se o Fc merecer três prêmios que ganhe os três, se não merecer nenhum que não ganhe nenhum, o Fc não precisa de um premio que não seja dele,  de uma premiação que o publico conteste o resultado.

 

No dia 25/11 vocês vão cantar no Hutúz”. O que o público carioca pode esperar desse show?

Eduardo: O publico pode esperar empenho, dedicação e muito respeito a os nossos irmãos cariocas.

 

A televisão aberta é uma concessão pública e quem tem o dever de transmitir informação de qualidade. Vocês acham que as emissoras cumprem esse papel?

Eduardo: Como falei antes, repito a mídia é tendenciosa, forma opiniões e aliena pessoas em troca de lucro, não existe imagem inofensiva na tela, qualquer imagem quer retorno, olha o Brasil Urgente por exemplo,  você vai notar que quando a matéria começa a inflamar, que o tal do Datena começa a chorar, ai começam as propagandas, aliais diga se de passagem que cada lagrima é programada pelo diretor que tem a voz no ponto que esta no ouvido do apresentador, por exemplo: grita que ta dando ibope, troca a matéria que essa perdeu alguns pontos, não interessa o problema abordado, se não tiver um apelo dramático que de audiência já era, sobe, não existe filantropia, altruísmo na mídia.

 

Ultimamente podemos ver grupos de rap se apresentando em grandes emissoras de tv. Vocês acreditam que oFC rap precisa dos grandes veículos de comunicação ou eles que precisam do rap?

Eduardo: A partir do momento  que a tv abre espaço na sua programação caríssima pro rap, é por que ela esta tendo retorno, isso prova que ela precisa do rap, o problema de um grupo de rap ir na tv foi criado pela própria tv, que não aceita a postura das letras, o estereotipo das bandas, nosso linguajar, então os grupos formadores de opinião se rebelaram contra a postura preconceituosa da tv e entenderam que a tv é prejudicial a nossa música, a nossa cultura, hoje qualquer pessoa sabe que pra uma banda estar num auditório de tv, é por que atendeu as exigências da emissora, sempre soube que quem da ibope pra novela, pro fantástico, pro Jô Soares, pro Faustão é o povo que tem apenas como lazer sua televisão, que não tem outra opção de entretenimento, por isso sempre achei justo que o povo tivesse seus representantes na tela, os seus semelhantes atuando em novelas, em filmes, apresentando programas de auditório, jornais, por isso colamos algumas vezes, depois que entendemos a engrenagem racista, preconceituosa, capitalista selvagem, entendemos que uma estilo músical tão digno quanto o rap não poderia se aliar a o demônio, lembram do ditado então me diga com quem tu andas que eu te digo quem tu és, nenhuma banda de rap precisa da tv, aquele que precisa da tv é porque não se contenta com o publico que tem, ai busca alcançar novos horizontes, os palyboys. 

 

Quais os veículos de comunicação que apóiam verdadeiramente o rap?

Eduardo: Hoje nós contamos com rádios comunitárias, temos a parte literária,  hoje com grandes escritores de livros que relatam nosso cotidiano violento, destaco Ferréz, temos a revista rap Brasil, temos alguns sites que representam, como o Portal Rap Nacional, a 105 Fm, e claro o maior veiculo de comunicação os palcos.

 

O Facção Central está com um site novo, fale um pouco sobre isso?

Eduardo: Como já é publico, a criação é do Mandrake, o site  ficou muito bom, bem criativo, as ilustrações seguiram totalmente o conceito do cd, estamos atualizando dentro do possível, trazendo as informações as fotos, imagens, agenda de shows, o site é uma maneira muito boa de integração entre banda e publico, claro que não é a forma mais ideal de chegar na totalidade dos manos, por que ainda infelizmente não são muitos que dispõem de um computador, ou dispõem se quer daqueles R$ 2,00 por hora da Lan House, mais precisamos de portas de acesso a o publico e toda porta que se abre com dignidade é uma maneira de expandir nossos pensamentos, expandir a Bactéria FC. http://faccaocentral.rapnacional.com.br

 

A música “Aparthaid no Dilúvio de Sangue” foi escrita baseada no salmo 109, você costuma ler a Bíblia?

Eduardo: A estória dessa letra é bem interessante, uma vez um mano num show me deu uma bíblia e disse que eu deveria ler mais a bíblia, cheguei em casa e comecei ler, foi na mão que eu encontrei um salmo, que eu me identifiquei, o Salmo 109, me identifiquei por que ele deixava claro que aquele que trás o mau, merece ser penalizado, que ninguém tem que dar a outra face pro inimigo bater e sim bater na face do inimigo, achei que ficaria interessante pros Zé povinho de plantão que sempre nos colocam como incentivadores da violência ouvir uma frase como: Que não haja um que tenha compaixão dos seus órfãos, e depois descobrir que é uma frase bíblica e não de autoria do Eduardo demoníaco.

 

O Eduardo tem pacto com o diabo?

Eduardo: Não, jamais faria aliança com o playboy.

 

Vocês participam de algum projeto social?

 

Eduardo: Hoje apenas fazemos um trabalho social através da nossa música mesmo, já abraçamos milhares de causas nobres, que no final constatamos que não era tão nobres assim, não vou citar nomes, nem entidades, infelizmente não encontramos pessoas serias, pessoas que tivessem um projeto concreto, com metas, com foco em quem ajudar, mais estamos no olho do furacão, sabemos da nossa missão e se tiver quer ser alem da música estamos preparados.

 

 

 

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